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Não Alimente o Rumor

12 October 2017

Combater estereótipos, preconceitos, atitudes discriminatórias e rumores sobre imigração na cidade da Amadora, fornecendo informação correta sobre imigração e diversidade cultural.

SÍNTESE

Frases como "os imigrantes estão associados ao crime e à radicalização", "os imigrantes vivem à custa de subsídios do Estado" ou "as crianças estrangeiras só trazem problemas nas escolas" são alguns dos rumores que circulam sobre os imigrantes. A campanha "Não Alimente o Rumor" faz parte de uma estratégia que a Câmara Municipal da Amadora (PT) tem vindo a desenvolver desde 2014 no âmbito do projeto "Comunicação para a integração: rede social para a diversidade (C4I)", promovido pelo Conselho da Europa. Esta campanha visa aumentar a sensibilização para os efeitos que estes rumores têm na vida das pessoas. Apoiada por agentes antirrumor devidamente formados e por uma rede antirrumor, trata-se de uma estratégia de comunicação viral que já produziu bons resultados, como se pode observar pela atitude mais positiva demonstrada pela população nativa portuguesa em relação aos imigrantes.

SOLUÇÕES PROPOSTAS POR ESTA BOA PRÁTICA

Fornecer conhecimentos metodológicos e estratégias de integração intercultural, incluindo uma estratégia antirrumores. Este exemplo de boas práticas contribui para a concretização de dois objetivos fundamentais:

 1. Sensibilizar para o impacto de declarações disseminadas e infundadas sobre os imigrantes na cidade da Amadora.

 2. Criar uma estratégia de comunicação dirigida ao potencial da diversidade étnica e cultural existente na cidade, combatendo a discriminação, como o racismo, atitudes de intolerância e xenofobia e promovendo a inclusão.

No âmbito do trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal da Amadora para a criação de estratégias interculturais destinadas a gerir a diversidade enquanto recurso, o valor desta Boa Prática reside no modelo em que assentou: uma forma simples e dinâmica de transmitir informação baseada em factos, dando aos diferentes públicos-alvo a oportunidade de abordar questões e problemas relacionados com a vida quotidiana e o modo de ver os "outros", numa perspetiva não conclusiva mas bem fundamentada, ajustada aos diferentes contextos, incluindo o da educação, da cultura, do desporto ou do planeamento da cidade. A título de exemplo, o impacto da campanha nas escolas levou a que fossem abordados temas como a imigração e a inclusão social de forma aberta, inovadora e criativa, permitindo aos alunos explorar os seus sentimentos, opiniões e comportamentos relativamente às diferenças culturais através da arte e de um processo designado por "diálogo positivo".

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E INTEGRADO

A campanha "Não Alimente o Rumor" revelou-se complementar e transversal a outras medidas destinadas a erradicar a pobreza e a exclusão social e económica. Permitiu sensibilizar as pessoas para os preconceitos e para as atitudes negativas para com os imigrantes residentes na cidade, combatendo o problema através de um método bem fundamentado e positivo, numa abordagem holística que envolveu decisores, a sociedade civil, o setor privado e instâncias governativas de diferentes níveis. A Amadora integra a Área Metropolitana de Lisboa, sendo uma cidade essencialmente residencial e com a mais elevada densidade populacional de Portugal.

UMA ABORDAGEM PARTICIPATIVA

A abordagem participativa foi efetivamente um dos princípios básicos da estratégia. Além de ter sido criada uma rede local antirrumores, cerca de 75 organizações da Rede Social da Amadora (incluindo organizações que trabalham diretamente com imigrantes) e membros da própria comunidade imigrante participaram em diferentes fases da campanha:

  • Mapeamento dos rumores;
  • Formação de agentes antirrumores, envolvendo participantes oriundos de diferentes áreas de intervenção da Câmara Municipal, como a da educação, da intervenção social, da cultura, do desporto e das relações interculturais. Estes agentes dão formação a organizações locais: associações locais, escolas, cidadãos e forças de segurança pública (foi elaborado um "Guia do agente antirrumores");
  • Mobilização de 5 mediadores interculturais (ao serviço da Câmara Municipal) na organização de workshops de formação;
  • Realização de debates com alunos, promovidos por professores, em várias escolas;
  • Produção de vídeos;
  • Atividades culturais e desportivas orientadas para a diversidade e interculturalidade, incluindo um Concurso municipal de papagaios (que proporcionou a crianças e estudantes uma oportunidade para debater questões relacionadas com a diversidade, o preconceito e a discriminação através da arte);
  • Workshops sobre diversidade: "Qual é a verdadeira cor das nuvens?" (utilizando várias ferramentas para percecionar o mundo sem os "filtros" dos rumores, estereótipos, preconceitos e discriminação); e uma caminhada e corrida de solidariedade para a diversidade.

QUE IMPACTO TEVE ESTA BOA PRÁTICA?

A atitude dos habitantes e trabalhadores da Amadora para com os imigrantes que vivem, estudam e/ou trabalham neste concelho foi analisada por uma equipa universitária antes do início da campanha e após a conclusão de algumas atividades e eventos realizadas no âmbito da mesma. Eis alguns resultados: as pessoas que participaram em, pelo menos, uma atividade mostraram uma atitude mais positiva para com os imigrantes do que as pessoas que apenas ouviram falar da campanha ou desconheciam totalmente a sua existência. Os participantes com níveis de instrução mais elevados tenderam a expressar atitudes mais positivas para com os imigrantes do que os participantes com níveis de instrução mais baixos.

A oportunidade de lançar uma campanha de sensibilização para o impacto que os rumores e preconceitos têm na vida das pessoas foi muito importante para a equipa do projeto. Por outro lado, o elevado interesse, empenho e participação das organizações e imigrantes locais no projeto permitiu que esta temática fosse abordada numa escala mais alargada. Durante a fase de desenvolvimento da campanha "Não Alimente o Rumor", estiveram envolvidas cerca de 75 organizações no projeto, o qual chegou a cerca de 2500 pessoas. A melhor prova do impacto que esta campanha teve está no facto de esta temática ter sido introduzida na agenda dos decisores políticos. A diversidade e interculturalidade passaram deste modo a ser tema de grandes eventos na Amadora e a luta contra o preconceito passou a ter lugar como medida no Plano Municipal para a Integração de Imigrantes da Amadora (PMIIA).

POR QUE RAZÃO DEVEM ESTAS BOAS PRÁTICAS SER APLICADAS A OUTRAS CIDADES EUROPEIAS?

A abordagem antirrumor pode ser adaptada a qualquer cidade que enfrente desafios semelhantes e o impacto da estratégia implementada por cada cidade pode ser avaliado na forma como os imigrantes passam a ser melhor percecionados. No âmbito do projeto "Comunicação para a Integração" (C4I), as cidades participantes (Amadora, Loures, Bilbau, Sabadell, Limerick, Botkyrka, Nuremberga, Erlangen, Lublin e Patras) criaram a sua própria estratégia de comunicação. A estratégia antirrumor foi originalmente lançada na cidade de Barcelona. Na Amadora, a campanha está a decorrer e foi também apresentada aos parceiros da Rede Arrival Cities (URBACT III) durante a sua primeira fase, tendo sido incluída no relatório do primeiro workshop transnacional na segunda fase do projeto.

A campanha "Não Alimente o Rumor" foi apresentada como estudo de caso de abordagem inovadora para a integração de imigrantes no evento "A Brighter Future for Europe: Innovation, integration and the migrant crisis" (11-12 de abril de 2016, Siracusa), organizado por Social Innovation Europe, Social Innovation Exchange (SIX), AEIDL - Association Européenne pour l'Information sur le Développement Local, Impact Hub Siracusa. Em maio de 2016, a estratégia antirrumor foi apresentada no 2.º Workshop da Rede Portuguesa de Cidades interculturais (RPCI) e, em setembro do mesmo ano, a Amadora viu aprovado um financiamento do Conselho da Europa, através do projeto "Construir sociedades inclusivas: cidades interculturais", e promoveu a iniciativa local “Amadora Paladares do Mundo”.

NÚMEROS-CHAVE

Início: 2014
Conclusão: O projeto C4I terminou em 2015, mas a campanha “Não alimente o rumor” faz agora parte da estratégia municipal (PMIIA).
Data de atribuição do selo: 02/06/2017
Orçamento: 71.300 €

Texto da autoria da equipa Boas Práticas da CM Amadora

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