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Braga - Mobilidade Urbana Sustentável, Inclusiva e Inteligente

21 July 2017

O município de Braga tem como objetivo estratégico a mudança do paradigma para a promoção da mobilidade sustentável, inclusiva e inteligente. Face à repartição modal atual que destaca o transporte individual, pretende-se alcançar a inversão da pirâmide da mobilidade conferindo primazia aos modos suaves e ao transporte público.

No que concerne à Mobilidade, entende-se que a cidade reúne condições físicas e sociais potenciadoras dos modos ativos. De facto, é uma cidade com declives adequados para o efeito, apresenta uma população jovem (mais apta à adoção dos modos suaves), regista a presença de várias associações muito ativas face a estas matérias do âmbito da mobilidade, incorpora várias empresas TIC, o INL (International Iberian Nanotechnology Laboratory) e a Universidade do Minho (parceira do município em vários projetos).
Por outro lado, cerca de 30% da população residente apresenta pelo menos um tipo de dificuldade que condiciona a sua mobilidade, pelo que o desenho do espaço público deve prever as adequadas condições de mobilidade para todos.


Neste sentido, o município de Braga estabeleceu metas ambiciosas mas alcançáveis no horizonte definido (2025), no que concerne ao novo paradigma de mobilidade – que pretende ser mais Sustentável, Inclusiva e Inteligente:


1. Implementação de um Sistema Integrado de Mobilidade;
2. Inversão da Pirâmide Modal (nova hierarquia Peão – Bicicletas – Transporte Público – Transporte Motorizado Individual);
3. Promoção da Mobilidade Inclusiva;
4. Promoção da Intermodalidade;
5. Redução do TI (Transporte Individual) em 25%;
6. Aumento do Modo ciclável em 10% (18.100 utilizadores);
7. Duplicação do n.º de utilizadores de TC;
8. Gestão do Estacionamento.

Visando a concretização da Visão Estratégica (Promoção da Mobilidade Sustentável, Inclusiva e Inteligente) e destes objetivos específicos, Braga está a desenvolver vários projetos, dos quais se destacam:


1. REDE PEDONAL – PROJETO “EU JÁ PASSO AQUI!” – Este é um projeto que surgiu como resposta positiva a uma proposta de ação ao nível da mobilidade, integrada no Orçamento Participativo de 2016 e que se designava “EU NÃO PASSO AQUI”. Este projeto visa o levantamento exaustivo de ocorrências existentes no espaço público que condicionam a adequada “mobilidade  para todos” e a respetiva correção.


2. REQUALIFICAÇÃO DO AMBIENTE URBANO DE QUATRO BAIRROS/QUARTEIRÕES (Zona de Montélios, Zona Envolvente à Torre Europa, Zona da Makro e Zona da Quinta das Fontes) – Estes projetos-piloto têm como objetivos gerais:
• Humanização do espaço público;
• Promoção dos modos sustentáveis;
• Melhoria da acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida;
• Gestão do estacionamento, circulação viária e segurança;
• Redução dos níveis de gases de efeito de estufa;
• Diminuição da poluição sonora.

 

3. GESTÃO DOS ACESSOS PARA CARGAS E DESCARGAS NA ÁREA PEDONAL – Este projeto visa redefinir as condições de logística urbana na área pedonal evitando a presença excessiva de veículos automóveis nessa área.

 

4. REDE CICLÁVEL

A implementação de ciclovias e vias cicláveis é o primeiro passo na conversão de um tipo de desenho urbano mais humanizado.
Desta forma, revela-se bastante importante a implementação de uma rede de ciclovias para aumento da segurança e incremento da mudança de mentalidades, conduzindo a que a circulação ciclável se difunda e para que a cidade se comece a adaptar às necessidades ambientais e de qualidade de vida que hoje em dia são cada vez mais prementes. Neste sentido, o município de Braga desenvolveu a rede ciclável em consonância com o diagnóstico e estudos desenvolvidos no âmbito do planeamento da mobilidade e estratificando as linhas temáticas de acordo com as principais ligações a polos geradores e atractores de mobilidade que configura. No âmbito do PAMUS os principais eixos desta rede estão a ser alvo de intervenção (ex: Av. da Liberdade; Avenida 31 de janeiro; Av. D. João II).

5.PROJETO DE INSERÇÃO URBANA DE TRANSPORTE PÚBLICO NA RODOVIA

 

Refere-se ao Projeto de Inserção Urbana de Transporte Público na extensão das Avenidas da Imaculada Conceição, de João XXI e de João Paulo II (correntemente designada como Rodovia).
Tal inserção, focada no estabelecimento de uma estratégia tendente à inclusão de canais próprios de transporte público sempre que possível, será pensada e desenvolvida de modo integrado com os restantes fluxos de mobilidade urbana, nomeadamente as redes automóvel, ciclável e pedonal, requalificando o espaço de modo a proporcionar não só melhores condições de mobilidade, mas também de conforto e segurança para os cidadãos.
 

6.PROJETO DE INTERVENÇÃO EM TRAVESSIAS PEDONAIS
Visa a criação de uma rede pedonal integralmente inclusiva, com colocação de pisos podotáteis, uniformização das travessias e nivelação das mesmas, sempre que possível, à cota dos passeios e, na ausência de alternativa, com rampeamentos regulamentares e confortáveis. (em elaboração).

 

CITYMOBILNET - BRAGA Meeting
Resumo do evento


A cidade de Braga é membro de uma rede denominada CityMobilNet, que se foca nas questões de mobilidade urbana sustentável, nomeadamente nas deslocações urbanas, que têm um papel central no crescimento, emprego e bem-estar dos cidadãos. O objetivo é enfrentar os problemas de mobilidade de forma holística, pondo em debate quer as questões relacionadas com estratégia, visões e políticas, quer assuntos práticos de atuação no território, tocando problemas de gestão de mobilidade, diálogo com stakeholders, métodos de sensibilização, formas de chegar aos intervenientes do território, sistemas de recolha de dados essenciais ao planeamento da mobilidade, mas também no que respeita diretamente às soluções de intervenção física no espaço público que devem ser tomadas.


Uma das metodologias que começam desde logo a surtir efeitos nas cidades é a necessidade de criar Grupos de Ação Local em cada cidade, que devem ser constituídos por todos as partes que tenham algum papel na Mobilidade Urbana, sejam empresas de transportes, instituições de ensino, grupos de investigação nesta temática, organizações não-governamentais e associações que se dediquem ao tema ou à promoção de modos de transporte específicos, projetistas ou técnicos incumbidos de desenhar espaço público, especialistas ou consultores que prestem auxílio às entidades administrativas das cidades, entre outros.


Desta rede fazem parte 11 cidades, designadamente Bielefeld (Alemanha), a cidade-líder, Burgos (Espanha), Braga (Portugal), Morne-à-l’Eau (Guadalupe - França), Província de Aix e Marselha (França), Palermo (Itália), Região Sudeste de Malta, Agii Anargyri Kamatero (Grécia), Zadar (Croácia), Slatina (Roménia) e Gdańsk (Polónia).


Uma das ações da rede consiste na realização de encontros que ocorrem alternadamente numa das cidades participantes, nos quais se reúnem obrigatoriamente membros de todas as restantes e nos quais se realizam sessões de trabalho, debates e apresentações que conduzem ao objetivo geral de partilha de conhecimento. Até recentemente, já se tinham realizado reuniões em Malta, Bielefeld, Zadar e Braga. Após alguma ponderação, que assentou bastante no estado atual de cada cidade e nas mais-valias que um evento de tal forma, a nível internacional, pode trazer à cidade, nomeadamente, através do impacte que origina, Braga foi selecionada para acolher o quarto encontro da rede.


Assim, no âmbito desta metodologia, Braga recebeu com apreciada hospitalidade, entre os dias 7 e 9 de Junho, participantes de todas as cidades que integram a rede. Os membros tiveram a oportunidade de debater e trabalhar em diversas sessões produtivas, ver de perto algumas das questões com que nos defrontamos diariamente e conhecer os projetos para a cidade, bem como compreender genericamente alguns aspetos da cultura bracarense com que se procurou contextualizar o tema da mobilidade, indissociável das restantes temáticas do território, sociais, patrimoniais, imateriais, entre outras.

 

Texto da autoria de Filipa Corais, Pedro Moreira e Tiago Silva

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