Os melhores planos urbanos são cocriados: lições de 30 redes de planeamento de ação URBACT

Edited on 27/03/2026

Redes URBACT de Planeamento de Ação em 2023 na URBACT University em Malmö, Suécia

O URBACT City Festival 2026 irá celebrar 273 ações urbanas locais. Qual é o processo de planeamento URBACT subjacente a estas ações?

O perito URBACT, Ed Thorpe, baseia-se nas lições de dois estudos para partilhar, em primeira-mão, observações e reflexões das cidades envolvidas em 30 Redes de Planeamento de Ação URBACT (2023-2025). No âmbito destas redes, cada cidade parceira foi incumbida de coproduzir um Plano de Ação Integrado. Os 273 Planos de Ação Integrados resultantes serão apresentados em Nicósia, no URBACT City Festival 2026. 

Na antecipação do Festival, que lições podemos já retirar destes planos locais para uma mudança sustentável?

 

Uma estratégia ou um roteiro? O método URBACT e o planeamento integrado de ação

 

Quando as Redes URBACT de Planeamento de Ação 2023-2025 foram lançadas, a maioria das cidades parceiras encontrava-se na mesma situação. Cada cidade enfrentava os seus próprios desafios urbanos, mas não dispunha de um plano (totalmente desenvolvido) para os resolver. Trabalhando em conjunto nas suas redes temáticas, cada uma procurou desenvolver uma visão local partilhada e ações específicas para uma mudança positiva, agrupadas tematicamente em torno da governação participativa, do planeamento urbano, da economia local, da ação climática e da coesão social. 

O resultado desta colaboração temática foi um Plano de Ação Integrado, elaborado por cada cidade parceira. Estes planos são um resultado do Método URBACT, um conjunto de princípios orientadores para o intercâmbio de conhecimento entre cidades, baseado na integração, na participação e na aprendizagem ativa. 

 

 

Analisando as Redes de Planeamento de Ação recentemente concluídas, de que forma um Plano de Ação Integrado contribui efetivamente para apoiar a mudança no terreno? Em teoria, um plano de ação define os passos específicos para concretizar uma estratégia. No entanto, para muitas cidades, o valor reside não tanto nos pormenores do planeamento de ação, mas sim na definição de uma nova abordagem estratégica ou «roteiro» para orientar as ações locais. Parte disso consiste em garantir uma abordagem global coerente e integrada, gerindo a complexidade de articular diferentes áreas de trabalho num único plano global.

 

                «Não se trata de acumular projetos individuais, mas sim de estabelecer

                    uma abordagem global coerente para a revitalização comercial, a reabilitação

              de espaços públicos, o apoio à habitação, a valorização do património cultural...».

                                                          Fleurus, Cities@Heart.

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Normalmente, o Plano de Ação Integrado deve ser entendido não como o fim do processo de planeamento, mas sim como um passo crucial num processo de planeamento contínuo.

 

                                              «O mais valioso de tudo é o Plano de Ação Integrado,

                  elaborado em conjunto, que agora serve tanto de mapa como de bússola

     para o futuro… Tornou-se um compromisso comum e continua a crescer, carregando

     a esperança de um futuro mais verde e mais interligado para as gerações vindouras».

                                         Vila Nova de Poiares, GreenPlace.

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Um bom Plano de Ação Integrado não tem de se assemelhar a um bom pedido de financiamento de projeto, nem precisa de ser o ponto final do processo de planeamento — comprometendo a cidade e os seus parceiros locais a seguir um calendário e um orçamento fixos e precisos. No entanto, ao estabelecer algumas opções estratégicas claras e ao definir ações específicas a empreender numa série de áreas, o plano pode constituir um trampolim extremamente valioso para a preparação de um ou mais pedidos de financiamento específicos, como foi o caso de Löbau (Alemanha).

 

                         «O Plano de Ação Integrado obrigou-nos a ser mais rigorosos

                   no nosso pensamento estratégico. Estamos muito satisfeitos e orgulhosos

              por termos utilizado o plano resultante como base para um importante pedido

        de financiamento para os próximos 4 anos. Ajudou-nos imenso a preparar o pedido.»

                                                             Löbau, GreenPlace.

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Para algumas cidades, o Plano de Ação Integrado pode servir de base para um pedido de financiamento imediato como este. Noutras, certas ações planeadas podem ter de aguardar pela oportunidade de financiamento adequada. Na rede U.R.Impact, Longford (Irlanda) informou recentemente que acabara de obter financiamento para construir um museu no local do antigo quartel militar – uma ideia inicialmente prevista no seu plano de 2018 no âmbito da rede MAPS.

Ao falar com cidades que tinham elaborado planos de ação em 2018, uma mensagem consistente foi que os planos continuavam a evoluir e que o sucesso da implementação era frequentemente apoiado por candidaturas a projetos que se baseavam nos planos iniciais, mas também os aperfeiçoavam.

Plano Integrado de Ação Alghero (Itália)

 

Planos como ferramentas de envolvimento

 

Algumas cidades consideraram construtivo encarar o Plano de Ação Integrado como um documento vivo, que insufla nova vida na visão de mudança das suas comunidades. Por outras palavras, se os Planos de Ação Integrados forem vistos apenas como documentos de planeamento «internos», perde-se uma parte crucial do seu valor acrescentado enquanto ferramentas para comunicar a abordagem recentemente acordada. Isto é relevante para gerar o envolvimento das partes interessadas locais e o apoio dos políticos locais. Um plano claramente delineado pode também apoiar o intercâmbio e a aprendizagem com outras cidades, bem como a aceitação por parte das autoridades nacionais e de outros potenciais financiadores.

Um dos principais desafios enfrentados pelas Redes URBACT de Planeamento de Ação consistiu em desenvolver representações visuais claras, de uma página, da sua lógica de intervenção. A representação visual apresentada por Wrocław (Polónia) mostra claramente como o plano se estrutura em torno de três objetivos estratégicos para revitalizar espaços subutilizados ou abandonados (por exemplo, zonas industriais). O objetivo aqui não é enumerar as ações individuais, mas sim captar os objetivos e as principais áreas de intervenção através das quais a cidade pretende concretizar a sua visão.

 

Figura 2: Esquema lógico do Plano de Wrocław (PL), GreenPlace.
Figura 2 - Esquema lógico do Plano de Wroclaw (Polónia), GreenPlace.

 

Este processo pode ser exigente e requer um raciocínio complexo para definir corretamente a lógica do plano. No entanto, o resultado é frequentemente uma visão geral concisa e acessível da abordagem estratégica da cidade.

A U.R.Impact realizou um trabalho adicional interessante neste contexto, desenvolvendo e visualizando a «Teoria da Mudança» (Theory of Change) que está no cerne dos Planos de Ação Integrados.

Isto proporciona um quadro claro para compreender como se espera que as ações planeadas criem impacto local e, em última análise, concretizem a visão definida para o plano da cidade.

Figura 3 - Modelo da Theory of Change de Kamza (Albânia).

 

Preparação para a ação

 

Os pontos anteriores procuraram minimizar a tendência de considerar o Plano de Ação Integrado como um mero documento de planeamento. No entanto, é evidente que estes pontos têm uma importante componente de planeamento.

Alguns dos exemplos mais evidentes de planeamento de ação começam com um conjunto de quadros resumidos que abrangem todas as ações previstas, seguidos de um planeamento mais detalhado para um subconjunto de ações que o justifiquem particularmente. Isto segue as recomendações das orientações atualizadas do URBACT para incentivar as cidades a definir um vasto leque de ações, sem a sensação de que todas têm de ser planeadas com o mesmo nível de detalhe.

As tabelas resumidas de ações têm um duplo valor acrescentado. Em primeiro lugar, oferecem uma excelente visão geral de todas as ações planeadas, num formato fácil de consultar e partilhar (favorecendo, assim, o envolvimento com o plano). Em segundo lugar, confirmam os detalhes básicos do planeamento, incluindo quem é responsável pela execução e outros elementos opcionais, tais como prazos previstos, resultados e recursos necessários — tudo isto sem sobrecarregar o leitor com pormenores.

 Tabelas resumidas das ações de Nyíregyháza (Hungria), C4Talent, mostram quantas ações podem ser apresentadas de forma clara e estruturada, agrupadas por objetivo específico.

 

Para algumas ações, este nível de planeamento pode ser suficiente – o parceiro de implementação responsável pode já saber o que fazer. No entanto, algumas ações podem ser altamente complexas, exigindo uma reflexão e um planeamento mais aprofundados sobre o que é necessário fazer e como, a fim de implementar a ação.

O Parceiro Líder do U.R.Impact, Cinisello Balsamo (Iália), forneceu um plano de ação detalhado (ao longo de várias páginas) para as ações-chave previstas no seu plano, abrangendo aspetos como: responsável pela ação, partes interessadas relevantes, nível de preparação, etapas de implementação, custos e financiamento, mitigação de riscos e monitorização. Cada ação tem o seu próprio plano de implementação.

Este planeamento de ação mais detalhado pode ser melhor utilizado para um subconjunto específico de ações para as quais os detalhes adicionais de planeamento acrescentam verdadeiramente valor – sobretudo quando possa ser necessário um pedido de financiamento.

 

Qual é o próximo passo para as redes URBACT?

 

As Redes de Planeamento de Ação fazem parte de um longo legado de parcerias apoiadas pelo URBACT. Analisando os testemunhos e exemplos acima referidos, é importante recordar que o Plano de Ação Integrado não é apenas um resultado isolado, mas é parte do processo de planeamento de ação e um reflexo desse processo. Em última análise, o valor do Plano de Ação Integrado resultante não reside apenas no que está escrito no papel, mas no que isso significa e representa para a autarquia local e outros membros envolvidos no URBACT.

No que diz respeito à implementação, aplica-se a mesma lógica. Pelo menos tão importante quanto o que está escrito é a forma como esse processo irá prosseguir após o fim da rede URBACT. O sucesso da implementação está quase sempre ligado a uma governação eficaz e ao envolvimento contínuo das partes interessadas no aperfeiçoamento constante das ideias e das ações planeadas.

Inspire-se na trajetória das 30 Redes de Planeamento de Ação! Consulte a lista de páginas web para encontrar os Planos de Ação Integrados e outros resultados das redes. 

 

Os 273 Planos de Ação Integrados serão apresentados em sessões temáticas no City Festival 2026. Serão dadas informações em primeira mão pelas cidades parceiras sobre as ações locais que desenvolveram através das redes.

Tem alguma iniciativa local que gostaria de ver concretizada na sua cidade? O novo concurso do URBACT para Redes de Ação decorre de 17 de março a 17 de junho de 2026. Fique atento ao site do URBACT para mais informações sobre o novo concurso.

Traduzido e adaptado do original da autoria de Ed Thorpe, submetido em 25/02/2026

Submitted by on 27/03/2026
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Maria José Efigénio

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