Sete abordagens inteligentes das cidades para impulsionar as suas economias locais

Edited on 09/10/2026

Da atração de talentos e inovação empresarial até ao turismo sustentável e à valorização do património, sete boas práticas do programa URBACT mostram como as cidades estão a impulsionar as suas economias locais, tirando partido dos seus pontos fortes.

Por toda a Europa, pede-se às cidades que façam mais do que apenas recuperar. Pede-se-lhes que se reinventem: que atraiam talento, apoiem as empresas locais, criem emprego, protejam o património, acolham visitantes e melhorem a qualidade de vida.

As sete Boas Práticas URBACT apresentadas neste artigo foram selecionadas entre as 116 Boas Práticas URBACT premiadas em 2024. Estas soluções práticas, comprovadas e transferíveis demonstram que o desenvolvimento económico local não se resume apenas a atrair investimento. Trata-se também de desenvolver competências, confiança, identidade, parcerias e um objetivo comum.

 

Uma nova geração de soluções para a economia local

 

Durante muitos anos, o desenvolvimento económico local seguiu um roteiro já conhecido: atrair investidores, construir infraestruturas, promover a cidade e criar emprego. Estas prioridades continuam a ser importantes. Mas já não são suficientes.

Embora cada cidade tenha o seu próprio contexto e solução, as seguintes Boas Práticas URBACT revelam sete formas complementares de reforçar as economias locais. Algumas centram-se na criação de condições para que o talento, as empresas e o emprego prosperem. Outras mostram como locais atraentes e habitáveis podem tornar-se um motor de crescimento. Uma terceira demonstra como a cultura, o património e a identidade local podem gerar novas oportunidades na economia. Em conjunto, demonstram que o desenvolvimento local bem-sucedido constrói-se através de múltiplas vias interligadas.

 

Desenvolver talentos e futuros negócios

 

1. Fundão (PT)

 

Um município rural que decidiu que o talento não é exclusivo das grandes cidades

 

O Fundão enfrentou um desafio que muitos territórios europeus de baixa densidade conhecem bem: o declínio demográfico, o declínio económico e a ideia de que os empregos qualificados pertencem a outros locais. Em vez de aceitar este caminho, o município desenvolveu uma estratégia de inovação a longo prazo enraizada no território local.

Desde 2012, o Plano de Inovação do Fundão tem combinado a incubação de empresas, as competências digitais, a requalificação profissional, a investigação e o desenvolvimento, o apoio ao investimento e o envolvimento da comunidade. O Living Lab da Cova da Beira tem sido fundamental para ligar instituições públicas, empresas, escolas, universidades e organizações cívicas.

Os resultados são impressionantes: 16 empresas de TI atraídas, 1 000 empregos qualificados criados, mais de 250 projetos de investimento privado apoiados e um saldo migratório positivo pela primeira vez em décadas. O Fundão acolhe agora pessoas de mais de 70 nacionalidades.

 

2. Lyon (FR)

 

Quando o desenvolvimento económico começa a considerar o que realmente importa

 

Muitas cidades afirmam querer economias mais ecológicas, mais justas e mais resilientes, mas se medirem o sucesso apenas através do emprego, do investimento e da criação de empresas, podem perder de vista o panorama geral. Com as Ferramentas para a transformação empresarial sustentável, a Metrópole de Lyon escolheu um caminho diferente: tornar o impacto local das empresas visível e útil para a tomada de decisões.

A Metrópole criou duas ferramentas complementares. O Observatório da Economia de Impacto Positivo mede a forma como as empresas contribuem para os objetivos públicos de sustentabilidade. A plataforma KELIMPACT ajuda as empresas a avaliar e a melhorar o seu impacto económico, social e ambiental.

Com mais de 1 000 utilizadores, a KELIMPACT já ajudou a Metrópole de Lyon a adaptar os seus serviços públicos. Por exemplo, quando a ferramenta revelou que as pequenas empresas não estavam a realizar avaliações da pegada de carbono, Lyon desenvolveu um apoio específico para as ajudar a tomar medidas.

 

3. Nyíregyháza (HU)

 

Os problemas do mercado de trabalho exigem mais do que projetos isolados

 

A escassez de competências, a emigração dos jovens, os obstáculos ao emprego das mulheres, os grupos vulneráveis e as necessidades das empresas raramente se enquadram na responsabilidade de uma única instituição. Em Nyíregyháza, a solução consistiu na criação de uma estrutura de governação partilhada, na qual os intervenientes do mercado de trabalho possam compreender os problemas em conjunto e agir coletivamente.

O Fórum do Emprego reúne 38 partes interessadas dos setores público e privado, incluindo autoridades locais e regionais, instituições de ensino, empresas, ONG e organizações do mercado de trabalho. Reúne-se regularmente para debater a retenção de talentos, os grupos vulneráveis, a digitalização e o futuro do trabalho.

Ao longo do tempo, o Fórum evoluiu de uma rede de abordagem descendente para um órgão mais colaborativo. Atualmente, quatro grupos de trabalho centram-se na dinâmica do mercado de trabalho, na orientação profissional, nas estruturas modernas de formação e na mobilidade da mão-de-obra. Entre 2017 e 2023, a parceria organizou mais de 120 eventos.

Nyíregyhaza (HU), Fórum do emprego

 

Principais conclusões para a sua cidade

 

Em conjunto, estas práticas demonstram que as cidades podem desenvolver talentos e futuros negócios quando a estratégia, as parcerias, as competências e a qualidade de vida estão alinhadas. As cidades pequenas e rurais podem construir ecossistemas de inovação sólidos, enquanto as autoridades metropolitanas podem passar do apoio às empresas para a transformação empresarial, associando a competitividade à responsabilidade social e ambiental. Nos casos em que os desafios do mercado de trabalho abrangem várias instituições, as estruturas partilhadas podem ajudar a alinhar competências, empregos e inclusão, proporcionando às cidades a coordenação de que necessitam, mais do que mais um projeto de emprego isolado.

 

Criar locais onde as pessoas escolhem viver e visitar

 

4. Baião (PT)

 

Um turismo que protege o local do qual depende

 

O turismo pode gerar emprego, visibilidade e rendimentos. Pode também exercer pressão sobre as paisagens, as comunidades e a identidade local. A iniciativa de Baião como destino de turismo Sustentável coloca uma questão fundamental: como pode o turismo apoiar o desenvolvimento local sem prejudicar o local que as pessoas vêm visitar?

Baião colocou o turismo sustentável no centro da sua estratégia local, tornando-se o primeiro município português a obter a certificação EarthCheck. Não se tratou de um exercício de imagem, mas sim de um processo de governação estruturado, apoiado por uma Política de Sustentabilidade do Destino e por um Plano de Ação.

Uma Equipa Verde multidisciplinar coordena o trabalho, acompanha os progressos e envolve atores locais, intermunicipais e privados. A estratégia abrange a eficiência energética e hídrica, as energias renováveis, a proteção da biodiversidade, a programação cultural, os produtos locais e o envolvimento da comunidade.

 

5. Idanha-a-Nova (PT)

 

O município rural que tornou a atração uma estratégia para todo o território

 

Idanha-a-Nova enfrentou um dos desafios territoriais mais difíceis da Europa: o declínio demográfico a longo prazo. Ao longo de cinco décadas, o município perdeu cerca de 70 % da sua população.

A estratégia Restart in Idanha foi criada para contrariar essa trajetória. Lançada através de um processo de planeamento participativo em 2015, a estratégia assenta em quatro programas com 26 projetos. O Idanha Green Valley associa o conhecimento e a inovação às zonas rurais. O Idanha Live melhora as condições de vida dos residentes atuais e futuros. O Idanha Experimenta permite que potenciais recém-chegados conheçam o território. O Idanha Made In apoia os produtos locais, especialmente os alimentos biológicos.

A estratégia centra-se no que torna um local habitável: educação, saúde, segurança, espaços de incubação, investigação, serviços, bem-estar e qualidade de vida. Não se trata simplesmente de uma campanha para atrair residentes. É uma tentativa de tornar a vida rural desejável, viável e voltada para o futuro.

 

Principais conclusões para a sua cidade

 

Juntos, Baião e Idanha-a-Nova demonstram que tornar um local atraente começa pela forma como é gerido e vivido, e não apenas pela forma como é promovido. O turismo sustentável não é um slogan, mas sim um sistema de gestão capaz de conciliar o turismo, a ação climática, as empresas locais e o bem-estar da comunidade. Atrair residentes começa pela qualidade de vida, e não pela publicidade, o que torna estas abordagens especialmente relevantes para destinos rurais, cidades fronteiriças e regiões em processo de despovoamento que procuram tornar-se mais apelativas e viáveis para residentes, empresários, famílias e visitantes.

 

Transformar o património num ativo produtivo

 

6. Onda (ES)

 

Uma antiga fábrica de cerâmica transforma-se num novo centro cívico

 

A tradição cerâmica de Onda faz parte da identidade da cidade. Mas o património só se torna um recurso para o futuro quando é ativamente utilizado, partilhado e reinventado. Esse foi o desafio por trás da transformação de La Campaneta através do projeto Reaproveitamento do património para os cidadãos.

La Campaneta é um dos complexos de fábricas de cerâmica mais antigos e preservados de Onda. Situado entre os bairros de Tossalet, Monteblanco e Rajolar, o edifício encontrava-se em estado de degradação. O município restaurou-o e transformou-o num centro cultural e de lazer para a comunidade.

O projeto preservou três fornos mouriscos e outros elementos da produção tradicional de cerâmica, ao mesmo tempo que deu uma nova vida ao edifício. Desde a sua reabertura, La Campaneta tem acolhido exposições, concertos, workshops, eventos comunitários e também reuniões locais do programa URBACT.

Onda (ES)

 

7. Fundão (PT)

 

Onde a tradição se cruza com à tecnologia digital

 

Já mencionado nesta lista por outra iniciativa, Fundão também procurou resolver outro desafio urbano. O conhecimento tradicional é frequentemente tratado como frágil, decorativo ou destinado a desaparecer.

O Craft Lab transmite uma mensagem mais forte: o artesanato pode ser uma plataforma para a inovação, a educação, o turismo, a identidade e a renovação económica. O projeto Casas e Lugares do Sentir foi lançado em 2017 com o objetivo de preservar e valorizar o património material e imaterial da região. A rede reúne 14 casas temáticas espalhadas pelas freguesias da cidade, formando um percurso cultural, turístico, social e educativo.

Em 2019, o Craft Lab foi lançado no âmbito desta rede, em parceria com o FabLab Aldeias do Xisto e a CEARTE. O projeto alia o artesanato tradicional ao design, à fabricação digital e aos materiais sustentáveis. Apoia ainda a aprendizagem intergeracional através do projeto Escola-Aldeia.

Fundão (PT), Craft Lab

 

Principais conclusões para a sua cidade

 

Onda e Fundão demonstram que o património pode ser mais do que uma memória; pode tornar-se uma infraestrutura para a vida comunitária e o desenvolvimento local. Os edifícios públicos devolutos, o património industrial e os bens culturais subutilizados podem receber novos usos, enquanto as tradições vivas podem estabelecer uma ligação entre identidade, competências, educação, fabricação digital e diversificação económica local. A lição comum é que o património se torna um ativo produtivo quando é ativamente utilizado, partilhado e reinterpretado.

 

O que é que a sua cidade pode fazer a seguir?

 

Estas sete boas práticas URBACT não oferecem uma fórmula universal para o desenvolvimento local. É precisamente por isso que são importantes. Mostram que as cidades preparadas para o futuro não são aquelas com a estratégia mais na moda, mas sim aquelas capazes de encarar os seus próprios pontos fortes de uma perspetiva diferente.

Inspire-se no conjunto completo de Boas Práticas URBACT premiadas em 2024, bem como em muitas outras disponíveis na base de dados. Depois, coloque a questão que mais importa: em que se poderia tornar a sua cidade se levasse a sério os seus próprios pontos fortes?

Traduzido e adaptado do original em inglês submetido pelo URBACT em 24/09/2026 disponível em Seven Smart Ways Cities Are Growing Their Local Economies

Autor: Tiago Ferreira

 

 

Submitted by on 09/10/2026
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Maria José Efigénio

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