URBACT City Festival 2026: o ponto de encontro das cidades

Edited on 23/10/2026

Nicosia (CY), Festivalul Orașului URBACT. URBACT / Giorgios Michael

Nicosia (CY), URBACT City Festival. URBACT / Giorgios Michael

Continuamos a celebrar as soluções urbanas e a inspiração, após os dois dias produtivos, que contaram com a participação de mais de 40 representantes de cidades portuguesas.

Por toda a Europa, as cidades enfrentam muitos desafios comuns. Mas, enquanto uma cidade ainda procura respostas, noutro local, outra cidade com o mesmo desafio já experimentou algo – que resultou. Como afirmou Themis Christophidou, Diretora-Geral da Comissão Europeia para a Política Regional e Urbana, na sessão plenária de abertura do URBACT City Festival 2026: “O mais difícil é encontrarmo-nos uns aos outros.”

Ao longo de dois dias, no final de setembro, em Nicósia (CY), encontrarem-se uns aos outros foi precisamente o objetivo. A sétima edição do URBACT City Festival reuniu cerca de 500 agentes urbanos de 32 países, representando mais de 300 cidades envolvidas em redes URBACT recentemente concluídas. Este artigo apresenta um resumo de algumas das enriquecedoras e animadas trocas de ideias.

Urbact City Festival Paricipant Countries

 

O contexto

 

Seguindo a tradição já bem estabelecida do URBACT de romper com o formato convencional de conferências, o URBACT City Festival 2026 decorreu em três espaços emblemáticos de Nicósia – a Praça Eleftheria (Liberdade), o Royal Hall e a antiga Praça GSP.

O presidente do município anfitrião, Charalambos Prountzos, introduziu Nicósia ao descrevê-la como “uma cidade de camadas”, onde as muralhas venezianas, os legados grego, romano e otomano e uma ponte projetada por Zaha Hadid coexistem lado a lado. Patrina Taramidou, do Ministério do Interior cipriota, acrescentou que é nas cidades que as prioridades europeias se concretizam e tocam a vida quotidiana. A competitividade e a inovação têm início nas cidades da Europa, mas a coesão social continua a estar no cerne do projeto europeu.

Para Jenny Koutsomarkou, responsável pela área de Conhecimento e Divulgação do Secretariado Conjunto do URBACT, o festival foi, acima de tudo, um momento para ver os resultados: as ações locais e a inovação levadas a cabo pelas cidades ao longo de dois anos e meio de cooperação em rede.

Estes resultados foram apresentados num Marketplace, que, pela primeira vez na história do URBACT City Festival, foi aberto ao público em geral: o marketplace das ações locais recebeu entusiastas da cidade anfitriã e de todo o Chipre.

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Nicosia (CY), URBACT City Festival. URBACT / Giorgios Michael

 

Dezasseis sessões temáticas, múltiplas perspetivas sobre a Europa urbana

 

O programa do festival contou com um vasto leque de sessões temáticas que destacaram as questões que moldam o presente e o futuro das cidades da UE — desde a mobilidade urbana, a saúde e o bem-estar, até à transição economias urbanas mais verdes e à retenção de talentos. Mas estas sessões foram mais do que meras discussões sobre os desafios urbanos: trouxeram para o palco a verdadeira face da mudança urbana, com profissionais das cidades a partilharem as soluções que desenvolveram, testaram e puseram em prática no terreno. Desde lições aprendidas até resultados concretos, as sessões mostraram o que as cidades europeias podem alcançar quando aprendem umas com as outras e transformam ideias em ação.

Eis um resumo de algumas das conversas que tiveram lugar nas salas das sessões.

A transição digital: não deixar ninguém offline. As cidades estão a perceber que a exclusão digital não é simplesmente um “problema dos idosos”. Marina Serrano, de Mollet del Vallès (ES) (parceira líder da rede DIGI-INCLUSION), explicou como a dministração da sua cidade identificou vários perfis de exclusão, desde jovens sem acesso à Internet até famílias sem dispositivos - mas muitas vezes faltam dados detalhados a nível municipal. Uma das principais ações lançadas é um inquérito municipal em que as respostas são recolhidas ao vivo, e não online, claro! Em Arezzo (IT), Alma Serica descreveu como o trabalho da cidade na rede TechDiversity revelou que 13 % da sua população se encontra “sem estudar, sem emprego ou sem formação (NEET- not in education, employment or training)”, o que levou à criação de um observatório para a inclusão de género no setor das tecnologias da informação e a um evento de matchmaking que colocou 45 jovens NEET cara a cara com sete empresas das áreas da tecnologia, eletrónica e IA. Esta experiência em pequena escala revelou-se tão bem-sucedida que a cidade está agora a explorar a criação de um centro de inovação digital para tornar estes encontros permanentes, alargando-os aos desempregados de longa duração e aos migrantes.

Habitação: da transferência à transformação. Esta sessão mostrou o que acontece quando soluções inovadoras se propagam de uma cidade para outra. Bruxelas (BE) criou o primeiro modelo de community land trust (modelo comunitário de propriedade e gestão coletiva do solo) na Europa continental. Através do projeto Calico, financiado pela iniciativa europeia Urban Innovative Actions (Ações Urbanas Inovadoras), a cidade-região demonstrou como a exclusão do custo do terreno do custo da habitação — visando deliberadamente famílias de baixos rendimentos, mulheres idosas, pais solteiros e inquilinos do programa Housing First — permite construir habitações e fortalecer a comunidade. Ao transferir este modelo através da Rede URBACT Cities 4 Cohousing, o Calico não é apenas um empreendimento habitacional, mas sim um sistema de habitação. Getafe (ES), localizada numa região industrial, demonstrou o valor de associar o direito à habitação ao direito à energia. Através da sua Unidade de Informação sobre a Pobreza Energética, Getafe identificou que 80 % dos seus edifícios não são energeticamente eficientes e que um quarto da população enfrenta pobreza energética. Através do EmPoweringUs, Getafe provou que a acessibilidade financeira deve ser avaliada para além do momento da compra ou do arrendamento, incluindo os custos energéticos contínuos.

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Nicosia (CY), URBACT City Festival. URBACT / Giorgios Michael

 

A economia da noite. Um tema teve um impacto particularmente forte ao longo de todo o festival: a cidade noturna. Reunindo as redes 2NITE, CITISENSE e Cities After Dark, a sessão explorou a forma como os espaços públicos podem permanecer vibrantes, seguros e acolhedores após o pôr do sol - entendendo-se a segurança através de um design inclusivo e sensível às questões de género, em vez de se basear apenas na ação policial. Tal como vários oradores referiram, o festival marcou o fim de um percurso que transformou o debate sobre a noite “de espaço de riscos para espaço de oportunidades», uma perspetiva que foi celebrada na festa de encerramento Nicosia After Dark, organizada pela rede Cities After Dark.

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Nicosia (CY), URBACT City Festival. URBACT / Giorgios Michael

 

Os soundbites do festival

 

Tamás Dömötör, em representação do Ministério da Construção e dos Transportes da Hungria e membro do Comité de Monitorização do URBACT, observou que a transferência de boas práticas nunca é um processo unidirecional: a cidade que partilha também ganha uma nova perspetiva sobre as suas próprias ações. As “Redes de Transferência de Inovação”, referiu ele, “são fundamentais para garantir que a inovação urbana chegue a toda a UE, em vez de se concentrar nos países mais ricos.” Entre as vozes presentes no recinto do festival: Alison Foster, do Conselho do Condado de Fingal, esteve lá para apresentar uma das suas ações do projeto EcoCore; a conceção de um parque eco-industrial de referência internacional num terreno industrial abandonado, com base nos princípios da economia circular. ”Há tantas ações fantásticas em exibição aqui no Festival. Só gostaria de ter mais tempo para visitar todas elas!”, partilhou Alison. Paulina Mol, participante pela primeira vez no Festival, proveniente de Cracóvia, tem vindo a trabalhar no âmbito da rede de património dissonante ARCHETHICS para dar nova vida à praça central de Nowa Huta, um bairro de Cracóvia (PL) construído no final da década de 1940 como uma chamada “cidade socialista”. “Tem sido uma experiência reveladora levar as nossas perspetivas, fruto do trabalho local neste bairro pós-comunista, para o palco europeu”, disse-nos Paulina.

O festival também antecipou o período de programação financeira da UE para 2028–2034. Kieran McCarthy, vereador da cidade de Cork e membro do Comité das Regiões Europeu, exortou as cidades a adotarem uma perspetiva de longo prazo, apesar das dinâmicas políticas de curto prazo, e a defenderem junto dos seus deputados ao Parlamento Europeu que o financiamento destinado às cidades seja afetado a fins específicos, em vez de ser absorvido pelas prioridades nacionais. O eurodeputado Marcos Ros Sempere confirmou que o Parlamento Europeu propôs a afetação de 13 % do orçamento da UE ao desenvolvimento urbano - um sinal, segundo Hugo Sobral, da DG Política Regional e Urbana da Comissão Europeia, de que a questão já não é se as cidades têm um papel a desempenhar, mas sim se as políticas da UE vão ao encontro das necessidades das cidades.

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Nicosia (CY), URBACT City Festival. URBACT / Giorgios Michael

 

Os próprios observadores de tendências do festival, Jolanta Reča e Øystein Leonardsen, sintetizaram dois dias de intercâmbio em três tendências que as cidades podem levar consigo:

  1. Curiosidade: as autoridades urbanas estão sempre a fazer perguntas – o que se passa? Porquê? O que podemos fazer a esse respeito?

  2. Atrito positivo: há valor em deparar-se com questões difíceis, em vez de tentar sempre eliminar as barreiras;

  3. As cidades estão nisto a longo prazo- porque Roma, e todas as nossas cidades, não se constroem num dia.

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Nicosia (CY), URBACT City Festival. URBACT / Giorgios Michael

 

O que mais há a dizer sobre o URBACT City Festival 2026?

 

Raramente houve um momento melhor para a sua cidade encontrar uma cidade parceira que já esteja a debater-se com - e a resolver - o mesmo problema.

Tem curiosidade em reviver os momentos mais marcantes ou em saber de que se tratou o URBACT City Festival 2026? Encontre os testemunhos dos participantes nas redes sociais com #URBACTfest e veja o vídeo do URBACT City Festival 2026!

 

 

Nicosia (CY), Urbact City Festival. Urbact

 

Traduzido e adaptado do original em inglês submetido pelo URBACT a 15/10/2026 disponível em Finding each other: cities take centre stage at the 2026 URBACT City Festival in Nicosia

Submitted by on 23/10/2026
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Maria João Matos

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