47 cidades URBACT colocam em prática os aspetos económicos da transição verde

Edited on 16/07/2026

Copenhaga (DK) – COPE

Desde espaços esquecidos até às indústrias mais sustentáveis e à circularidade, as cidades URBACT estão a dar vida à economia urbana verde

Em toda a Europa, as cidades estão sob pressão para se tornarem mais verdes, mais justas e mais resilientes, em consonância com os objetivos de neutralidade climática da UE, a agenda da economia circular e as prioridades de adaptação às alterações climáticas. Neste quadro político, espera-se que as cidades reduzam as emissões, restaurem a natureza, apoiem as economias locais, criem empregos dignos, reutilizem recursos e melhorem a qualidade de vida. Uma economia urbana mais verde constitui uma resposta promissora a estes desafios. 

Uma economia urbana verde pode assumir muitas formas diferentes. Um antigo parque industrial que se transforma num parque verde público pode revitalizar novos espaços públicos. Uma horta de bairro pode aproximar a ação climática dos residentes, ou uma pequena cidade industrial pode preparar a sua força de trabalho para empregos verdes, incentivando os municípios a trabalhar de forma interdepartamental e a construir uma relação de confiança com os cidadãos. Para muitas cidades, especialmente as de pequena e média dimensão, a grande questão é como e por onde começar (embora as oportunidades sejam imensas).

As experiências de cinco Redes URBACT de Planeamento de Ação — GreenPlace, In4Green, COPE, LET’S GO CIRCULAR! e EcoCore — mostram que a transição para uma economia urbana verde não é um conceito político distante. É algo prático, que acontece nas ruas, nos bairros, nas zonas industriais, nas escolas, nos parques, nas empresas e nas parcerias locais.

 

Economia verde para as pessoas e para os locais

 

Tornar a economia urbana mais verde associa a ação ambiental ao valor social e às oportunidades económicas locais. Este processo ajuda as cidades a responder aos desafios de forma integrada. 

Entre 2023 e 2025, cinco Redes URBACT de Planeamento de Ação abordaram o percurso rumo a economias urbanas mais verdes por diferentes vias. A rede LET’S GO CIRCULAR! começou pela economia circular, a rede GreenPlace pelos espaços urbanos esquecidos. A rede In4Green arrancou com a transição industrial. A rede COPE centrou-se na ação climática focada nos cidadãos. A rede EcoCore começou com pequenas cidades ao longo de corredores de transporte. Mas todas chegaram à mesma conclusão: uma economia mais verde não se resume apenas ao que as cidades constroem, mas sim à forma como organizam a mudança e muito mais. 

Em conjunto, estas redes contam uma história que aborda cinco pilares fundamentais: saúde e bem-estar; justiça, equidade e igualdade; limites planetários; eficiência e suficiência; e boa governação.

A jornada rumo a economias urbanas mais sustentáveis, Fonte: Dr. Eleni Feleki [Imagem gerada com a ajuda da IA]

 

A jornada urbana em ação: onde a economia verde se torna visível

 

Ao analisar as Redes URBACT de Planeamento de Ação envolvidas na transição para economias urbanas mais verdes, os exemplos mais impactantes são, muitas vezes, os mais tangíveis. 

 

GREENPLACE: DE UMA ECONOMIA INDUSTRIAL PARA UMA ECONOMIA VERDE

 

No projeto GreenPlace, 10 cidades parceiras trabalharam com locais que tinham sido esquecidos: edifícios abandonados, áreas verdes não utilizadas, antigos espaços industriais e terrenos baldios. A reabilitação destes espaços urbanos esquecidos pode gerar um impacto mensurável, transformando-os em espaços verdes, ativos e socialmente úteis. O impacto social é também significativo: a revitalização destes espaços pode melhorar o acesso a áreas verdes no dia a dia, especialmente em bairros densamente povoados ou carenciados. Isto está diretamente relacionado com a orientação da Organização Mundial de Saúde, segundo a qual os residentes urbanos devem ter acesso a, pelo menos, 0,5–1 hectare de espaço verde público num raio de 300 metros das suas casas.

Em Onda (ES), uma cidade com menos de 30 000 habitantes, uma antiga zona industrial de cerâmica está a ser transformada num novo pulmão verde para a cidade, melhorando a saúde pública, a qualidade ambiental e a vida da comunidade. Uma ação-piloto consistiu num hackathon de sustentabilidade destinado a envolver os jovens no desenvolvimento do projeto Green Lung (Pulmão Verde) e a promover a sensibilização para as questões ambientais e de sustentabilidade. Não se trata apenas de projetos de regeneração. São projetos de bem-estar que também conduzem a cidades mais resilientes.

Onda (ES) – GreenPlace

 

Para as cidades que procuram reintegrar locais esquecidos na vida pública, a rede GreenPlace disponibiliza Fichas de Práticas Inspiradoras, Inspiring Action Fiches (Fichas de Ações Inspiradoras) e um handbook (manual). Estas ferramentas podem apoiar as cidades que pretendem transformar edifícios abandonados, áreas verdes não utilizadas ou terrenos degradados através da vegetação, do património e da participação.

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A rede GreenPlace incluiu as cidades de Wrocław (PL) como parceiro líder, Nitra (SL), Vila Nova de Poiares (PT), Boulogne-sur-Mer Développement Côte d’Opale (FR), Löbau (DE), Bucareste (RO), Onda (ES), Qarto d’Altino (IT) e Limerick (IE).

 

COPE: AÇÃO CLIMÁTICA COM VALORES DEMOCRÁTICOS 

 

As oito cidades parceiras da rede COPE conferiram a mesma dimensão humana à ação climática. Em Pombal (PT), também com 55 000 habitantes, o encerramento temporário do trânsito e os inquéritos no terreno no centro histórico ajudaram os residentes a imaginar um espaço urbano mais atraente e à medida das pessoas. A justiça e a equidade também são visíveis na forma como as cidades envolvem as pessoas que são frequentemente excluídas (por exemplo, jovens vulneráveis, idosos, crianças pequenas). Em Vilnius, um apelo à Comunidade Climaticamente Neutra reuniu 21 comunidades interessadas em horticultura urbana, partilha de alimentos, poupança de energia e outras ações de sustentabilidade. Estes podem parecer pequenos passos, mas são importantes: fazem com que a ação climática pareça mais próxima, mais democrática e mais partilhada.

 

Vilnius (LT) - COPE - Clique para ver o vídeo

 

O catálogo final da rede COPE mostra como a política climática pode passar de objetivos abstratos para ações locais concebidas em conjunto com os residentes, as escolas, as comunidades e os bairros.

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A rede COPE incluiu as cidades de Copenhaga (DK) como parceiro líder, Kavala (EL), Pombal (PT), Bistrița (RO), Saint-Quentin (FR), A Coruña (ES), Korydallos (EL) e Vilnius (LT).

 

ECOCORE & IN4GREEN: INOVAÇÕES PARA ESPAÇOS MAIS VERDES 

 

Não basta dizer às cidades industriais para «se tornarem mais verdes». Elas precisam de competências, investimento, apoio às empresas e vias práticas. O impacto potencial é mensurável: as políticas de transição verde já estão associadas ao crescimento do emprego, tendo o emprego no setor dos bens e serviços ambientais da UE aumentado de 2,02 % para 3,1 % do emprego total entre 2010 e 2022. Nas cidades industriais, isto pode traduzir-se em resultados concretos, tais como formação em sustentabilidade para empresas, programas de competências em matéria de ecologia, comunidades de energias renováveis e zonas de empregos verdes mais atrativas.

Em Balbriggan (IE), uma das nove cidades envolvidas na rede EcoCore, os parceiros locais traçaram um plano para transformar uma zona industrial convencional nos arredores da cidade num polo de emprego verde. Este plano integra mobilidade sustentável, competências, economia circular e infraestruturas resilientes às alterações climáticas.

 

Balbriggan (IE) – EcoCore

 

A rede In4Green demonstra também que o património industrial pode tornar-se um trunfo para a inovação: em Avilés (ES), uma das 10 cidades parceiras da rede In4Green, a transição da indústria pesada para um polo de inovação verde inclui um Parque de Ciência e Tecnologia e 10 novos centros de I&D, ajudando a ligar a cooperação industrial, o envolvimento das PME e o apoio à descarbonização, através de uma das ações de teste mais avançadas da rede, que abrange mais de 200 PME por meio de diagnósticos da pegada de carbono e planos de ação práticos para a sua redução.

 É uma cidade pequena situada ao longo de um corredor de transportes ou numa zona industrial, mas que enfrenta dificuldades devido à sua capacidade limitada? Ouça a série de podcasts da rede EcoCore. Através de histórias acessíveis sobre empregos verdes, liderança, ferramentas de planeamento, alianças e ecossistemas de inovação, esta série mostra que as cidades pequenas também podem liderar a transição verde e que a aprendizagem técnica nem sempre tem de vir num longo relatório.

A sua cidade é uma cidade industrial que está a tentar tornar a sua economia mais verde? Comece pelo In4Green Playbook (Manual In4Green). Este reúne percursos, exemplos de cidades, atividades de teste, abordagens de governança, indicadores e avisos práticos sobre o que evitar. Pode ajudar as autoridades locais a trabalhar com empresas, prestadores de formação e comunidades para transformar a transição industrial numa agenda local partilhada.

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A rede EcoCore incluiu as cidades de Balbriggan (IE) como parceiro líder, Dubrovnik (HR), Ormož (SI), Alba Iulia (RO), o concelho de Ķekava (LV), Santo Tirso (PT), Pärnu (EE), Villena (ES) e Tuusula (FI).

A rede In4Green incluiu as cidades de Avilés (ES) como parceiro líder, Vila Nova de Famalicão (PT), Dąbrowa Górnicza (PL), Larissa (EL), Salerno (IT), Žďár nad Sázavou (CZ), Sabadell (ES), Solingen (DE), Bijelo Polje (ME) e Navan (IE).

 

LET’S GO CIRCULAR! COMPLETAR O CICLO

 

Com a UE a ter como objetivo aumentar a taxa de utilização circular de materiais para 22,4 % até 2030, embora os progressos atuais continuem a ser limitados e desiguais, as 10 cidades parceiras da rede LET’S GO CIRCULAR! deram um caráter prático à questão dos recursos. Cluj Napoca (RO) introduziu refeições sustentáveis nas escolas, promovendo a sensibilização e a aceitação do consumo de alimentos vegetarianos como uma prática amiga do ambiente. A atividade será implementada semanalmente, tendo como dia específico as sextas-feiras. Estes exemplos mostram que a economia urbana verde passa igualmente por redesenhar os sistemas locais para que os materiais, os espaços, as empresas e as pessoas possam funcionar de forma diferente.

 

LET’S GO CIRCULAR! Flipbook, Infografia desenvolvida pela Dr. Eleni Feleki

 

Está pronto para pôr em prática a economia circular na sua cidade? O flipbook da rede LET’S GO CIRCULAR! é um guia de fácil leitura sobre os passos práticos para integrar abordagens de economia circular a nível local. 

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A rede LET’S GO CIRCULAR! incluiu as cidades de Munique (DE) como parceiro líder, Riga (LV), Área Metropolitana de Cluj (RO), Guimarães (PT), Corfu (EL), Granada (ES), Oulu (FI), Lisboa (Lisboa E-Nova) (PT), Malmö (SE) e Tirana (AL).

 

Resultados da rede: uma aprendizagem que muda a forma como as cidades funcionam 

 

O valor do URBACT não reside apenas nas ações locais. Reside no percurso de aprendizagem e na forma como as cidades começam a pensar e a trabalhar de forma diferente. Destacam-se três lições:

  • A capacidade de governação continua a ser um grande desafio. Tornar as economias urbanas mais verdes exige que as cidades trabalhem de forma transversal entre departamentos, setores e níveis de governo. Isto requer tempo, confiança e coordenação. 

  • A participação tem de ser significativa. Os cidadãos envolvem-se quando podem dar forma a algo concreto: um jardim, uma rua, um armazém, um espaço verde, uma zona industrial, um serviço local. As estratégias abstratas são mais difíceis de relacionar com a vida quotidiana. 

  • O próximo desafio consiste em financiá-las, manter o apoio político e passar de projetos-piloto para a implementação a longo prazo.

Muitas cidades dispõem agora de Planos de Ação Integrada sólidos, que constituíram um resultado fundamental para as cidades parceiras em todas as Redes de Planeamento de Ação. No entanto, à luz do exposto, a implementação continua a ser o maior teste quando se olha para o longo prazo.

 

De olhos postos em horizontes mais promissores

 

As cinco redes URBACT demonstram que tornar as economias urbanas mais verdes não se resume a uma única agenda. Trata-se de uma forma de melhorar o bem-estar, tornar a transição mais justa, respeitar os limites planetários, mudar a forma como as cidades produzem e consomem e reforçar a governação local.

O ponto de partida pode ser diferente em cada cidade: uma estratégia de economia circular, uma zona industrial, um muro esquecido, uma escola, uma horta comunitária, um centro de recursos, um corredor de transportes ou uma ação climática de bairro. O que importa é a capacidade de ligar as pessoas, o lugar, a economia e o ambiente.

É aqui que o URBACT faz a diferença. Proporciona às cidades o tempo, a estrutura e o apoio mútuo europeu necessários para testar ideias, aprender umas com as outras e transformar transições complexas em ações locais concretas.

Visite as páginas web das Redes URBACT de Planeamento de Ação e descubra como as cidades europeias estão a criar economias urbanas mais verdes, entre outras áreas de planeamento de ação.

Para mais informação relacionada com economias urbanas mais verdes, visite o novíssimo Greening Urban Economies Knowledge Hub (Centro de Conhecimento do URBACT Economias Urbanas Mais Verdes).

 

Traduzido e adaptado do original em inglês submetido pelo URBACT em 09/07/2026 disponível em 47 URBACT cities put the economics of the green transition into practice

Autor: Eleni FELEKI

Submitted by on 16/07/2026
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Maria José Efigénio

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